domingo, 24 de março de 2013

Historicamente o setor automotivo possui um peso relativamente grande no setor industrial, ao somarmos toda a cadeia produtiva do setor, o que politicamente se traduz em um grande lobby dentro do governo. Assim, este setor tem se beneficiado constantemente de medidas de incentivo fiscal (como por exemplo, a redução temporária do IPI) que propicia redução de preços e estímulo à compra de veículos.
Além disso, a compra de veículos foi impulsionada pela incorporação de cerca de 30 milhões de habitantes à nova classe média ao longo dos últimos dez anos, principalmente devido à valorização real do salário médio da economia. Este segmento da população teve acesso facilitado ao crédito (por exemplo, em 2010, quando houve alongamento dos prazos de pagamento e redução da fatia de pagamento inicial à vista) o que aumentou o número de habitantes que puderam comprar seu primeiro veículo. Antes disso, vale ressalta a própria estabilização da economia brasileira com o sucesso do Plano Real (a partir de 1994) que deu bases sólidas para a valorização real do salário dos trabalhadores.

O aumento da frota de veículos no Brasil fica nítida ao analisarmos a evolução do número de habitantes por veículo  no gráfico abaixo. Ou seja, quanto menor a razão entre habitantes por veículos, maior é o número de veículos por habitante.


Entretanto, ainda estamos muito longe de países desenvolvidos como por exemplo: Estados Unidos, Alemanha e Japão. Nestes países a proporção entre habitantes por veículo fica próxima a 1. Ou seja, praticamente 1 veículo por habitante. E mesmo ainda estamos aquém da proporção de habitantes por veículos em países emergentes como o México (3,5) e Argentina (4,0). Obviamente além da questão da renda real mais baixa no Brasil (entre outros fatores, devido à relativa baixa qualificação do trabalhador brasileiro), há a questão do preço do carro no Brasil que é muito mais caro do que em outros países. Um dos motivos é o elevado peso dos impostos que encarecem o preço do carro importado.

Além disso, é interessante verificar a grande discrepância que há entre a razão habitantes por veículo ao compararmos as regiões brasileiras. No Norte e Nordeste, onde a renda per capita é relativamente mais baixa, a razão habitantes por veículo é relativamente mais alta (ou seja, menos veiculos por habitante) do que em regiões mais ricas do Brasil como Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Neste último, o destaque fica por conta do Distrito Federal que possui o maior número de veículos por habitante por conta do salário real mais elevado do funcionalismo público federal.


Os dados de população residente foram extraídos da pesquisa PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE. Já os dados de frota de veículos foram obtidos no Boletim Anual da Anfavea



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