quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Participei hoje de um seminario na fgv sobre produtividade e um dos pesquisadores da FGV comentou sobre os resultados do IDEB que mostraram o Ceará em destaque tendo 82 escolas entre as 100 melhores escolas do ensino fundamental. Mas não pára por aí, pois o Ceará também tem 55 escolas entre as 100 melhores escolas no ensino médio. Este trabalho representa um esforço de diversas medidas de politica educacional que melhoraram de forma substancial a qualidade da educação no Ceará que até o inicio dos anos 2000 estava no grupo de estados com qualidade educacional abaixo da média nacional. E não foi só na cidade de Sobral que ganhou destaque nacional, mas também em outras cidades cearenses. Além de politicas voltadas para melhorias na qualificação do professor e dos métodos pedagógicos e de acompanhamento continuo e sistemático de professores e alunos, além de escolas em tempo integral, houve também uma politica de incentivos pelo governo estadual concedendo maiores recursos do icms condicionados a melhora no desempenho dos alunos. Futuramente escreverei de forma mais elaborada sobre esta revolução do ensino no estado do Ceará

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Na semana passada participei de um almoço-palestra com um representante do Ministério da Economia. Ele comentou sobre algumas medidas e projetos que compõe a agenda do governo, mas o que me chamou a atenção foi um breve comentário a respeito do Pronatec, que ficou conhecido especialmente durante o governo Dilma. Embora este programa tenha o mérito natural de promover a qualificação de trabalhadores e assim melhorar as chances de conseguir um bom emprego, ele citou estudo do IPEA que chegou a uma conclusão que o Pronatec reduziu a produtividade do trabalhador. O que parece ser
um contrassenso, na verdade o estudo mostra que por falta de um programa melhor focalizado para atender ao tipo de emprego oferecido pela região onde o trabalhador mora, há inúmeros casos de trabalhador com curso do Pronatec que tem encontrado dificuldades de conseguir emprego, sendo que este temp dedicado ao curso poderia ter sido melhor investido na busca por emprego. A crítica ca que eu faço é em relação à forma que o programa era vendido pelo governo Dilma, como sendo a tábua de salvação para pessoas com baixa qualificação, e muitas vezes associando ao setor industrial. Ocorre que a maior parte dos cursos do pronatec é ligado ao setor de serviços, e é natural que seja assim, pois este é um setor que representa cerca de dois terços de tudo o que é gerado anualmente. Mas além de ter faltado maior transparência na divulgacão, concordo com a critica da falta de foco do programa, que no final das contas em determinados casos não ajuda o trabalhador  e até prejudica, além de representar uma má-alocação na distribuição dos recursos.

sábado, 18 de maio de 2019

Educação no Brasil. Acabei de reler um livro do jornalista Daniel Barros chamado “País mal educado - por que se aprende tão pouco nas escolas brasileiras”. O livro relata histórias reais do dia-a- dia e desafios de diversas escolas espalhadas pelo Brasil em cidades grandes e as pequenas. No balanço geral do livro fica claro que as experiências bem sucedidas exigiram um conjunto coordenado de medidas em que destaco o foco na estruturação e valorização da carreira do professor,em que destaco os seguintes pontos: 

I) figura do coordenador pedagógico para ajudar os professores na elaboração das aulas

II) pagamento de um adicional ao professor para o professor que ensinar em tempo integral na mesma escola. 

III) reformulação dos cursos de licenciatura com foco maior em técnicas de didática.

IV) maior estímulo do governo em escolas de tempo integral (minimo de 7 horas), mas com plano de aulas pedagógicas nos períodos da manhã e tarde, mesclado com atividades opcionais de interesse do aluno como música, arte, esporte, etc.

No livro, destaco também o capítulo em que o jornalista relata os esforços de diversos ministros da educação, começando com Paulo Renato (governo FHC), Fernando Haddad (governo Lula) e Mendonça Filho (Temer), e mesmo outros com passagens rápidas como Cid Gomes (governo Dilma) na elaboração e aperfeiçoamento das provas de avaliação dos alunos (base para entendimento do estágio da educação e elaboração de políticas públicas adequadas) e para a criação da Base Nacional Comum, que se constitui em um plano detalhado do conteúdo mínimo obrigatório a ser ensinado em casa série. Esta base corresponde a cerca de metade do conteúdo a ser ensinado, sendo que a outra parte pode ficar a cargo de ensino de conteúdos de interesse regional. Ou seja, independente do partido no comando do governo, houve uma sequência de esforços contínuos no aperfeiçoamento de políticas na esfera educacional.

Por fim, destaco também os esforços do INEP, que é o órgão responsável pela elaboração das provas de avaliação, e que ganhou este protagonismo graças a esforços contínuos adotados pelos diversos governos, de PADB, PT e PMDB. E fico entristecido com a balbúrdia que se tornou o ministério da educação no governo atual, sendo que já teve 3 trocas na presidência do INEP em curto espaço de tempo, e nomeação de secretários e ministros com pouca ou nenhuma experiência em politicas educacionais. 
Interessante o relato do ex-ministro da educação Mendonça Filho (no governo Temer) em que logo que assumiu o ministério, pediu sugestões de nomes com experiência relevante em politicas educacionais para politicos de outros partidos.

Em suma, recomendo a leitura do livro que trata de diversos outros pontos efetivamente relevantes para melhorar a qualidade da educação no Brasil, e que traz relatos da realidade atual em diversas escolas espalhadas pelo Brasil, seja na periferia de São Paulo, em uma cidade pequena de Pernambuco, Cará, Bahia, e assim por diante



Este é o verdadeiro foco que o governo deveria adotar para melhorar a educação no país, e não adotar a visão distorcida de que professores são de esquerda e querem doutrinar os alunos. Uma pena para o país ter um governo, este sim,com uma visão doutrinária, e que infelizmente é um reflexo de opiniões também distorcidas de diversas pessoas, algumas próximas no círculo de convívio profissional.