quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Singapore...not poor

O título deste post faz um trocadilho com a sonoridade de Cingapura, mas no caso de not poor, não quero dizer de não ser de baixa renda, mas sim de não ter uma educação de baixa qualidade. Aliás, Cingapura figura na posicão de liderança no ranking Pisa. Mas  esta posição é apenas uma consequência natural de todo um projeto consistente de valorização da educação focada principalmente na valorização do professor. Esta valorização inclui não apenas o pagamento de um salário elevado (em nível semelhante ao que os engenheiros ganham, que estão entre os salários mais elevados do país). Esta valorização incorpora também o fornecimento de uma estrutura adequada nas escolas e principalmente o tempo adequado para que os professores possam se dedicar ao desenvolvimento de sua capacidade didática, ou seja, da melhor forma de transmitir o conhecimento aos alunos, e mais do que isso, de fomentar um método de ensino que estimule o interesse e participação dos alunos. Um exemplo prático disso é ensinar seja matemática, física ou outra matéria a partir de uma situação que faz parte da realidade dos jovens, dando significado à aprendizagem. Uma instituição que contribui no sentido de qualificação dos professores é o “Instituto Nacional de Educação”. Estima-se que cerca de 35 por cento do dia de trabalho do professor é dedicado para a prática da sala de aula, em que o jovem professor ensina sob a supervisão de professores mais experientes. 


quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Sobre o novo ministro

Em meu próximo post pretendo comentar sobre a educação em Cingapura, mas antes disso gostaria de abrir um parênteses para comentar sobre a indicação do próximo ministro da educação. Em entrevista recente antes da escolha do novo ministro, o presidente eleito Jair Bolsonaro comentou que o futuro do país passa pela escolha do ministro da educação. Entretanto, após sondagens de alguns nomes, a escolha final recaiu sobre o professor e filósofo Ricardo Vélez Rodríguez, sob pressão da bancada evangélica que rejeitou a indicação de Mozart Nevez Ramos porque ele não defenderia a tal da “escola sem partido”.  Em minha opinião, a escolha de Mozart seria mais adequada para o cargo porque ele combina o conhecimento sobre o tema em livros e diversos artigos, além de reunir experiência administrativa por já ter sido secretário da educação em Pernambuco. Aliás aproveitando o
próximo tema de meu post, segue link para um artigo dele publicado no site do Instituto Ayrton Senna sobre o sistema educacional em Cingapura. http://www.institutoayrtonsenna.org.br/pt-br/radar/o-que-cingapura-pode-nos-ensinar.html

Já o professor Ricardo Vélez,
Apesar de ter publicado mais de 30 obras, pelo que pesquisei seus livros abordam outros temas: filosofia, ciência politica, ética e sobre o patrimonialismo no governo Lula. E não vi nada sobre educação. Ou seja, a escolha parece equivocada, e neste sentido não creio que haverá melhora no sistema educacional, aliás temo pelo contrário, assim comprometendo ainda mais o futuro deste país. Outro sinal negativo é que a ênfase nas falas iniciais do novo ministro refere-se a esta bandeira da Escola sem partido, com criticas a uma doutrinação ideológica de estudantes pelos professores.

Ora bolas, para um país com as carências educacionais como o Brasil, certamente este não é o tema de maior relevância.
E mesmo que fosse um tema relevante, sinceramente olhando do ponto de vista geral (escolas desde o ensino básico até as universidades), não acredito que os professores tenham o objetivo  de doutrinar os alunos para uma determinada visão politico-ideológica. Claro que podemos encontrar alguns exemplos pontuais onde isto acontece, talvez em maior caso nas universidades. Mas mesmo nestes casos, acho que os alunos já são grandes o suficiente para ouvir e discordar da opinião do professor. Aliás, fica inclusive difícil separar o limite entre uma opinião contundente e uma doutrinação. E no governo que irá assumir, ao que parece a doutrinação só ocorre da tal da esquerda, doutrinação de cunho marxista, etc. 

E extrapolando um pouco o tema deste blog, esta bandeira da escola sem partido, ao invés de combater esta suposta doutrinação, na verdade só alimenta ainda mais a intolerância ideológica que se ampliou no país vindos dos 2 lados principais do espectro ideológico: antes PT e PSDB, e neste ano entre PT e Bolsonaristas.  Diferente da visão das pessoas com que eu convivo, não acho que só quem é de esquerda seja  intolerante. Quem é anti-petista, anti-comunista ou sei lá o quê acaba tendo o mesmo grau de intolerância que os próprios partidários da esquerda. Neste sentido, os tais opostos são na real muito semelhantes. 


segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Educação no Japão - disciplina e organização


Tenho descendência japonesa, e no meu caso e de meus irmãos senti um pouco da cobrança por notas altas, aspecto típico da cultura japonesa. Não nego que esta cobrança teve seu lado positivo como a disciplina para estudar o que também ajudou de certo modo a passar nos vestibulares, e o seu lado negativo, pois havia um foco maior nas notas do que no aprendizado genuíno, muito embora eu sempre curti muito estudar.

Mas este é apenas um aspecto da educação japonesa, cuja qualidade contribuiu para o grande salto de desenvolvimento sócio-econômico do país. E hoje praticamente 100%, ou precisamente 99,99% das crianças estão matriculadas na escola.

Voltando à questão da cobrança por notas em exames, há um conhecimento amplo sobre a forte concorrência para ser aprovado no exame aparentemente único que define o 
ingresso nas universidades. E este tem sido um aspecto sob forte crítica dados os episódios de suicídios entre os jovens. Outro motivo que as escolas ainda não conseguem lidar muito bem trata-se de casos de bullying que leva a cases extremos de suicídio de crianças. 

Mas quais os pontos positivos da educação japonesa que levaram o país a figurar na segunda colocação geral na ultima edição do ranking Pisa, atrás apenas da Cingapura? Segue alguns aspectos:

I) Lembra daquela cena na copa do mundo aqui no Brasil de torcedores japoneses colocando a sujeira deixada no lixo? Então, este é um aspecto que vem desde os tempos de escola, pois em muitas delas nem há uma equipe de limpeza e jardinagem, e os alunos limpam as próprias salas de aulas e corredores
da escola diariamente. Além disso, há na grade curricular uma ênfase em formar cidadãos com respeito a todas as pessoas, ou seja, cria-se um senso de comunidade. Outro exemplo disso é que os alunos almoçam muitas vezes na própria sala de aula com o professor, assim reduzindo o distanciamento que muitas vezes ocorre entre professor e alunos.

II) Quase todas as crianças japonesas entram na pré-escola que se estende dos 3 aos 5 anos, e alguns estudos apontam que quanto mais cedo entra-se na escola, melhor é a facilidade de aprendizado nos anos seguintes. 

III) aulas de caligrafia e poesia tipicas da cultura japonesa reforçam a permanência dos laços com a cultura local. 


Falando de cultura local, as crianças costumam carregar uma mochila tradicional chamada Randoseru, que é funcional no sentido de não forçar a coluna das crianças e principalmente muito resistente ao tempo, faça chuva faça sol. O preço é alto, mas se comparado à qualidade típica de produtos japoneses, acaba compensando. Antigamente havia apenas 2 opções de randoseru (preta para meninos e vermelha para meninas), mas hoje em dia há mais variedade inclusive de material e cores. Mas a qualidade média permanece muito elevada.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Sistema educacional na Finlândia

Nestes primeiros posts vou comentar sobre os países que tem sido referência em educação. Vamos começar pela Finlândia, país que inventou a sauna (estima-se cerca de 2,2 milhões de saunas para um país europeu com cerca de 5,5 milhões de habitantes) e que trm pilotos de Fórmula 1 conhecidos como Mika Hakkinen e Kimmi Raikkonen (perdão pelos possíveis erros na escrita...rs).

Mas a Finlândia tem se destacado mesmo por possuir um dos melhores sistemas educacionais do mundo, conforme retratado pela posição de destaque no famoso ranking Pisa, feito pela OCDE. E o que chama a atenção são as características principais que  orientam a educação finlandesa.

I) carga horária de aulas reduzida a meio-periodo, pois os finlandeses valorizam a necessidade de tempo livre para as crianças poderem desenvolver a criatividade.

II) mães têm 1 ano de licença-maternidade e pais têm 6 meses. Porém, em determinados casos é possivel que a licença se estenda por um periodo de até 3 anos para um dos pais. 

III) forte qualificação dos professores em que mesmo para o ensino fundamental, os professores precisam ter diploma de mestrado, e há forte concorrência pois os salários pagos são relativamente elevados. Os professores que ensinam para as escolas precisam ter o diploma de mestrado, incluindo treinamento com técnicas de pedagogia. Os professores participam deste treinamento todos os anos. Até porque eles têm uma boa autonomia na forma de ensinar. 

IV) os alunos não são submetidos a testes frequentes para avaliação de desempenho. Os finlandeses afirmam que estes exames padronizados ao estilo americano só reforçam o aprendizado para ganhar notas, e desestimulam o interesse genuino pelo aprendizado e desenvolvimento intelectual.

V) politica do “no child left behind” em que há um investimento forte para que todas as crianças possam ter a mesma oportunidade ao ensino de qualidade. Inclusive os filhos de imigrantes. Aliás, há um número elevado de creches gratuitas.

VI) estrutura de carreira escolar. Além da formação escolar tradicional, envolvendo ensino fundamental, médio e universidade, os finlandeses podem seguir uma carreira dita vocacional, que apresenta uma proximidade maior com o mercado de trabalho profissional fora do mundo acadêmico. Nesta linha, basicamente após completar o ciclo tradicional de ensino dos 7 aos 16 anos, após alguma experiência profissional (como de jovem aprendiz), os jovens podem se inscrever em uma universidade de ciências aplicadas e depois de formados e após 3 anos de experiência profissional, eles se qualificam para um mestrado profissional, também na universidade de ciências aplicadas.

Estas são apenas algumas das caracteristicas interessantes em que podemos nos inspirar para um futuro melhor para o Brasil. Claro que a Finlândia é um país desenvolvido, com um renda média elevada e baixa desigualdade de renda. Mas a idéia deste blog é pegar os exemplos mundo afora, e ver alguns caminhos que podemos traçar.

domingo, 23 de setembro de 2018

Novo Blog

 Meu nome é Mauricio, e sou apenas mais um dentre os milhões de brasileiros que irão às urnas em Outubro para escolher o novo presidente, governadores, senadores e deputados. Ando meio desanimado com o andamento das eleições presidenciais, com a intolerância com visões opostas e discurso do ódio de várias partes e falta de debate de assuntos urgentes e principalmente os mais relevantes para mudar a trajetória de nosso país. 
Me incomoda esta falta de serenidade para discussão de assuntos efetivamente relevantes. Há muitas críticas a respeito do que foi feito por governos anteriores, ou mesmo do que deve ser feito daqui para a frente, mas pouca ênfase no passo-a-passo do que pode ser feito para mudar o país de forma estrutural.

Pensando nisso, decidi mudar o objetivo deste blog que estava abandonado...rs...e na época focado em assuntos diversos.

A idéia deste blog agora é começar falando de experiências mundo afora e também no Brasil sobre temas que podem  efetivamente mudar o patamar de desenvolvimento sócio-econômico do Brasil. Então decidi começar focando em educação, que é consenso se tratar do tema mais relevante para mudar a cara de um país. Meu desafio é escrever de uma forma objetiva e principalmente de fácil entendimento, mas sob um olhar de economista dada a minha formação acadêmica.

Sou formado em economia pela Usp, e tenho mestrado em economia pela Federal do Rio Grande do Sul, especialização em politica econômica internacional pelo Instituto para a Economia Mundial na cidade de Kiel , na Alemanha, e mestrado em politicas publicas e desenvolvimento na Escola de Economia de Paris, na França.