Em meu próximo post pretendo comentar sobre a educação em Cingapura, mas antes disso gostaria de abrir um parênteses para comentar sobre a indicação do próximo ministro da educação. Em entrevista recente antes da escolha do novo ministro, o presidente eleito Jair Bolsonaro comentou que o futuro do país passa pela escolha do ministro da educação. Entretanto, após sondagens de alguns nomes, a escolha final recaiu sobre o professor e filósofo Ricardo Vélez Rodríguez, sob pressão da bancada evangélica que rejeitou a indicação de Mozart Nevez Ramos porque ele não defenderia a tal da “escola sem partido”. Em minha opinião, a escolha de Mozart seria mais adequada para o cargo porque ele combina o conhecimento sobre o tema em livros e diversos artigos, além de reunir experiência administrativa por já ter sido secretário da educação em Pernambuco. Aliás aproveitando o
próximo tema de meu post, segue link para um artigo dele publicado no site do Instituto Ayrton Senna sobre o sistema educacional em Cingapura. http://www.institutoayrtonsenna.org.br/pt-br/radar/o-que-cingapura-pode-nos-ensinar.html
Já o professor Ricardo Vélez,
Apesar de ter publicado mais de 30 obras, pelo que pesquisei seus livros abordam outros temas: filosofia, ciência politica, ética e sobre o patrimonialismo no governo Lula. E não vi nada sobre educação. Ou seja, a escolha parece equivocada, e neste sentido não creio que haverá melhora no sistema educacional, aliás temo pelo contrário, assim comprometendo ainda mais o futuro deste país. Outro sinal negativo é que a ênfase nas falas iniciais do novo ministro refere-se a esta bandeira da Escola sem partido, com criticas a uma doutrinação ideológica de estudantes pelos professores.
Ora bolas, para um país com as carências educacionais como o Brasil, certamente este não é o tema de maior relevância.
E mesmo que fosse um tema relevante, sinceramente olhando do ponto de vista geral (escolas desde o ensino básico até as universidades), não acredito que os professores tenham o objetivo de doutrinar os alunos para uma determinada visão politico-ideológica. Claro que podemos encontrar alguns exemplos pontuais onde isto acontece, talvez em maior caso nas universidades. Mas mesmo nestes casos, acho que os alunos já são grandes o suficiente para ouvir e discordar da opinião do professor. Aliás, fica inclusive difícil separar o limite entre uma opinião contundente e uma doutrinação. E no governo que irá assumir, ao que parece a doutrinação só ocorre da tal da esquerda, doutrinação de cunho marxista, etc.
E extrapolando um pouco o tema deste blog, esta bandeira da escola sem partido, ao invés de combater esta suposta doutrinação, na verdade só alimenta ainda mais a intolerância ideológica que se ampliou no país vindos dos 2 lados principais do espectro ideológico: antes PT e PSDB, e neste ano entre PT e Bolsonaristas. Diferente da visão das pessoas com que eu convivo, não acho que só quem é de esquerda seja intolerante. Quem é anti-petista, anti-comunista ou sei lá o quê acaba tendo o mesmo grau de intolerância que os próprios partidários da esquerda. Neste sentido, os tais opostos são na real muito semelhantes.
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