Qual a imagem do Brasil para os estrangeiros?
Hoje perguntei para alguns colegas durante uma rodada de cerveja em um bar próximo à universidade (lá o pint – copo de meio-litro de uma Hooegaarden custa 7 euros, embora no happy hour eles cobrem apenas metade do preço :)) sobre o que logo lhes vem à mente quando falo do Brasil. Um colega indiano disse que associa o Brasil com festa e sol o ano inteiro, e um povo extremamente feliz e que sabe curtir a vida. Já outro colega, este francês, disse que as primeiras impressões que lhe vem à cabeça sobre o Brasil seria futebol de qualidade, mulheres com corpo bonito (na linguagem informal e meio pejorativa, mulheres gostosas), de biquini e que dançam muito bem (ou seja, que tem rebolado), tiroteio no Rio de Janeiro (ele usou exatamente esta expressão) na região das favelas e Amazônia. Ah, ele também citou festas, e disse que um outro amigo francês que foi ao Brasil se surpreendeu com a diversidade étnica com a presença de imigrantes africanos, europeus, asiáticos, e assim por diante...
Ainda preciso pesquisar mais, porém um fato estilizado é que
a imagem de festa o ano inteiro no Brasil se deve ao carnaval. Engraçado que o
Brasil carrega a imagem de ser o país mais latino (no sentido de diversão,
clima tropical e liberdade) na América do Sul, aliás, é o único que se encaixa
neste conceito na América do Sul. Por outro lado, a Argentina tem um pouco de
imagem de ser o mais europeu dos países sul-americanos.
Quando fiz a mesma pergunta para este colega francês quanto à imagem que ele tem da Argentina, ele citou o tango e a região dos pampas.
Lembro do comentário feito por uma colega de trabalho em
Bruxelas. Ela é espanhola e me disse que tem a imagem de mulheres trabalhando
no escritório de calcinha e sutiã (ou de bikini). Obviamente ela sabe que não é
assim, e reforçou que este é o estereótipo que tem do Brasil, mas sem dúvida
foi um excelente exemplo simplficado e claro distorcido da imagem do Brasil.
Minha percepção:
Cada país carrega consigo seus clichês /estereótipos, que
podem ser negativos ou positivos...e isso depende muito da impressão de cada
pessoa, mas parece imutável no tempo. Esta imagem do Brasil ser o país do
samba, futebol, mulheres de corpo bonito e muita diversão por um lado pode ser
positivo/benéfico para o país, obviamente do ponto de vista de atração de
turistas, mas por outro lado sempre penso que há o lado negativo, de não ser
considerado um “país sério”.
É fato que o Brasil tem sido mais divulgado no exterior. Do
ponto de vista político-econômico, isto em muito se encaixa no contexto dos
BRICS (Brasil, Rússia, India, China, e agora com a inclusão da África do Sul),
e tem atraído muitos investidores estrangeiros. Do ponto de vista de marketing,
hoje mesmo (dia 01 de abril de 2011) vi muitos cartazes de divulgação em várias
estações de metrô de Paris sobre a estréia do filme “Rio”, um desenho em 3D dos
mesmos criadores de “A Era do Gelo”...um dos produtores deste filme é
brasileiro, e ele mencionou em entrevista a vontade de mostrar o Brasil de
algum modo, em suas produções. Ainda não assisti a este desenho, mas certamente
colabora para uma imagem mais positiva do Brasil...embora claro que idealizada
por tratar-se de um desenho.
Mais do mesmo:
Por vezes fico triste ao ver que o Brasil reforça alguns de
seus próprios clichês. Assisti ao jogo de amistoso de futebol França x Brasil
no Stade de France, ocorrido no dia 09 de fevereiro de 2011. Antes do jogo, já
ao redor do estádio ouvi uma seção ininterrupta de alguns brasileiros tocando
bateria...o problema é que eles sempre mantinham a mesma batida (acho que a
batida mais tradicional do samba, não dá para explicar, e que já reforça o
clichê). Já dentro do estádio, que por sinal é muito bonito, limpo e bem
sinalizado (os assentos são todos marcados, e é bem fácil de localizar o
assento), novamente lá vem outros caras tocando bateria, e agora acompanhados
por um aprendiz de puxador de escola de samba e algumas mulatas dançando
vestidas à carater. Até aí tudo bem, pois sem dúvida o samba é o ritmo
brasileiro mais popular e que melhor retrata o Brasil (aliás, nada melhor que
um bom samba para espantar o desânimo, e certamente combina com o clima do
futebol). Porém, lá vêm eles com aquela mesma batida tocada pelo pessoal do
lado de fora do estádio, e ficaram nesta toada por pelo menos 20
minutos...mesmo os gringos que em tese devem curtir mais por ser “novidade”
devem ter ficados enjoados da mesma batida. Penso que poderiam mostrar outros
ritmos alegres, como o frevo pernambucano, por exemplo...por que não inovar? E
mesmo dentro do samba, por que não variar a batida? Nas escolas de samba eles
sempre mostram uma gama imensa de variações, inclusive pegando influência de
outros ritmos como o funk (lembro disso em um dos desfiles da Mocidade
Independente de Padre Miguel). Não, lá vem “mais do mesmo”...
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