Quais os três assuntos que não
tem discussão? Todos sabem a resposta: P F R ...parece nome de partido, mas não
é...mas tem relação pois como todos sabem, a letra P é de Política, F de
futebol e R de religião. Esses assuntos geram discussões acaloradas e muitas vezes
improdutivas (verdadeiros debates surdos) porque pessoas têm convicções firmes
e arraigadas, realmente crenças (sejam elas políticas, futebolísticas ou
religiosas) e defendem com unhas e dentes a sua visão atacando o adversário
tentando derrotá-lo (e não só no futebol). O absolutismo predominante da visão
arraigada é explicitado ao minimizar ou demonizar (e não só na religião) os que
defendem a visão oposta sem ao menos escutá-los (na verdadeira concepção do
verbo). Há uma verdadeira torcida na política entre os que vestem a cor
vermelha ou azul ou qualquer outra cor ou bandeira política.
Penso que uma discussão positiva,
propositiva só é feita quando pessoas conseguem escutar e refletir sobre os
pontos de vista alheios, o que é muito difícil de encontrar em alguém. A
dualidade de visões é positiva e enriquece o debate propositivo, porém as
pessoas costumam se ater (e é normal quando se trata de uma crença) ao seu
ponto de vista, e não conseguem enxergar ao menos uma virtude da visão oposta.
Digo isso particularmente quando alguém está decidido a votar em um candidato
de determinado partido e desmerece ou desqualifica o adversário como se a vida
imitasse a arte com papéis definidos e antagônicos, ou seja, há o herói e o
vilão.
Concordo com pessoas que tem uma
visão mais ponderada, literalmente ponderada que pese os prós e contras de cada
candidato (e realmente perceba os pontos positivos e negativos de cada um) e
daí então tome a decisão de qual candidato seria o melhor para a cidade. Respeito
pessoas que votam sob o critério de que julgam serem as prioridades da cidade e
ao comparar os candidatos, votam naquele que tem maior potencial para executar
as melhores ações dentro destas áreas prioritárias. Essa é uma obviedade e
visão simpática com que todos concordariam, mas que na prática é difícil de ser
percebida nas discussões digamos ‘emocionais’ de politica. Penso que uma visão ponderada
requer a possibilidade de reconhecer ao menos uma qualidade no adversário e um
defeito no candidato do eleitor, afinal o mundo não é composto por personagens
com papéis pré-definidos.
Discordo de pessoas com uma visão
mais extrema e arraigada que provavelmente só enxergam um lado da moeda, ou
seja, tudo que vem de lá é negativo. Quero dizer, as possíveis qualidades do
adversário são enxergadas sob a lente da descrença ou desconfiança. E a mesma
lente é posta sobre as qualidades negativas do candidato apoiado pelo
eleitor. E é fácil perceber isso ao
perguntar para um eleitor decidido sobre alguma qualidade do adversário, seja
de caráter, proposta ou particularmente sobre alguma realização feita na carreira
política deste candidato. Muitos têm completo desconhecimento e não saberão
responder e qualquer ponto positivo alegado será encarado sob a lente da
descrença ou desconfiança.
Escrevi este pequeno (na verdade
extenso...rs) texto pois leio muitos comentários na internet com debates
acalorados quando há uma notícia-denúncia, ou mesmo ao ler posts nas redes sociais
que demonstram uma visão arraigada sem conhecimento completo de causa (digo,
sem verdadeiramente ponderar os prós e contras de cada visão). As crenças
representam uma tentação natural na qual creio que a maioria das pessoas acaba
caindo, e não é uma característica apenas do debate político no Brasil. Percebi
também esta dualidade surda de visões no debate político francês em que as
pessoas têm visões arraigadas e desmerecem ou desqualificam plenamente o
adversário como se a vida imitasse a arte.
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